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3.8.05

Saudade...

Não acordei muito bem hoje... a saudade dói de uma maneira que vocês não imaginam! E eu sei que não tem nada que eu possa fazer para parar essa dor.
Nem sei porque eu resolvi escrever aqui... nem tenho nada pra dizer... Deve ser porque me lembra a mãe de uma forma divertida, porque a saudade que eu sinto hoje é dessa parte dela. Que mulher palhaça! Tava sempre rindo e tirando sarro de alguém! A gente sempre brincava e dizia que a melhor coisa do mundo era falar mal dos outros. Íamos para o shopping e ficávamos lá, avacalhando qualquer um que passasse pela nossa frente. Como eu sinto falta disso! A relação com ela era única! E eu sei que com cada um de vocês era diferente também. Porque a mãe era assim... ela nunca foi um tipo único de pessoa. Ela era várias em uma só! E dividia cada uma com cada pessoa especial da vida dela.
Como dói! Que raiva! A gente devia ter um botãozinho que desligasse isso! Como ela faz falta! Como eu sinto saudade! Como eu queria ela aqui comigo! E esse vazio aqui dentro ecoa a saudade e a dor! Que MERDA mesmo!
Espero que vocês continuem lendo o blog... hoje foi só um desabafo, mas eu estou procurando vários textos que a mãe escreveu durante a vida dela pra postar aqui! Aguardem!
Um beijo de Laura pra vocês!
Letícia...

12.7.05

Mãe

Como muitos de vocês já devem estar sabendo, a mãe faleceu neste sábado (09/07). Semana passada ela havia me pedido para postar algo no blog, e hoje eu consegui reunir forças para que pudesse escrever uma palavra que fosse aqui. Ainda não tenho muito o que dizer, está doendo muito. O que posso fazer é agradecer em nome do meu pai, da minha irmã e da mãe por todo carinho e apoio dos amigos dela, que ela gosta tanto. E dizer que vocês são extremamente privilegiados, pois conviveram com ela durante esse tempo. E não pensem que foi uma derrota, porque não foi. Ela tá bem não tá? A diferença é que não teremos mais contato físico e sim espiritual. A Laura está dentro de mim, da Lu e do pai e nós vamos fazer o possível para que mais pessoas possam conhecer essa mulher maravilhosa que ela é. Mais uma vez agradeço o apoio de todos durante essa caminhada. E voltarei a postar novamente, dessa vez com algo que a mãe mesmo me falar. Um beijo a todos, Letícia.

15.6.05

A for�a interior tr�s o brilho da alma.

De quem é a culpa?

Ontem assisti na TV um documentário bastante interessante.
Tinha como título "A vingança".
Mostrava mulheres que foram traídas ou abandonadas pelos maridos e suas respectivas vinganças.
Foi destes documentários de não tirar os olhos da TV de tão chocantes as cenas.
Cada qual com idéias mais mirabolantes e na maioria cruéis.

Desligada a TV deixei meu pensamento correr...
Somos criaturas interessantes.
Quando passamos por dificuldades , ou somos feridos na alma por alguma razão, tendemos sempre a culpar alguém pelo nosso infortúnio.
Quantas vezes dizemos:
"Estou nessa situação por causa de fulano!"

Muitas vezes a raiva toma conta e queremos fazer qualquer coisa para atingir este "fulano".
É ou não é?

Claro que desde pequenos somos influenciados pela sociedade, pela família, pelo nosso meio social a agir de determinadas formas, que hoje se transformaram em hábitos e quase nem notamos.
Quantas vezes vi algumas mães, com seus pequenos, que se esbarram em algum móvel, baterem neste mesmo móvel dizendo:
"Mesa boba, machucou meu filhinho!"
A criança que tudo absorve vai gravando estas atitudes e achando que realmente a culpada pelo machucado foi a mesa boba.
E por aí encontramos inúmeros exemplos de se jogar a culpa de nossas dores em alguém.

Mas o tempo passa, crescemos, passamos a conviver de forma mais madura com as pessoas e
com o mundo que nos cerca.

Por que continuamos, então a gir como se fôssemos crianças ainda?

Se prestassemos mais atenção em nós mesmos veríamos que não precisamos mais deste subterfúgio.
Pelo contrário:
Enquanto nos preocupamos em culpar os outros estamos disperdiçando nossas forças e evitando de resolver nossos problemas.
Quantas e quantas pessoas passam dias, meses, focadas em alguém enquanto poderia estar mergulhando dentro de si mesma para entender o que se passa realmente.

Que perda de tempo dedicarmos nossas horas com os outros e não conosco.

Dá para se entender porque uns amadurecem e vão em frente, alimentando sua alma e se tornando a cada dia mais forte, e outros que , quando com problemas se transformam em crianças mimadas e perdidas.

Hábitos, adquirimos durante toda a nossa existência.
Mudá-los, só depende de nós.
E não é difícil não!
Basta que voltemos nossos olhos para dentro de nós mesmos e nos reconheçamos como seres individuais e insubstituíveis.

Talvez este seja um dos segredos de minha força.

9.6.05

shiiii....n�o digam que estou aqui!

Lavagem cerebral

Tenho uma moça que vem em casa para auxiliar na limpeza durante este período em que me encontro sem caminhar ainda.
Ela pertence a uma destas religiões na qual a mulher não pode cortar o cabelo e tem que andar de saia.
Desde que voltei do hospital ela tenta a todo o custo me converter, dizendo que o que estou passando é um chamado de Deus que me quer como sua serva para dar mais tarde meu testemunho de salvação.
A cada dia que ela chega, ela vem sempre pela tarde, eu já me refugio, ou numa leitura qualquer ou sento na frente do computador e me faço de ocupada.
Ela sempre procura uma brecha, e quando consegue, sempre tem uma palavra para dizer que o Deus dela me envia.
Tenho até medo de perguntar qual é esta religião, pois tenho certeza de que, fazendo isso, ela vai achar que está conseguindo me converter.

Mas o fato mais interessante ocorreu dia deste em que recebi a visita de duas amigas espíritas.
Antes delas irem embora me deram um passe, ou transmissão de energia, como queiram chamar.
Minha auxiliar estava na cozinha e presenciou tudo, literalmente numa quase crise de nervos.
Assim que as visitas se retiraram ela não se aguentou e veio direto!
Se debruçou na minha poltrona e me deu um sermão que me deixou de boca aberta, mas sem conseguir emitir uma palavra.
Sério, tenho medo de fanatismo.
As pessoas deixam de raciocinar e são levadas somente pela emoção do momento, e nestas horas, diga você o que disser, sempre será mal interpretado.
Mas o sermão dela se resumiu em dizer que era para eu acreditar somente no Deus dela, que era o único que salvava e curava.
Que o diabo andava às soltas por aí e que era muito perigoso me envolver com ele.
Fiquei pasma.
Não sabia o que fazer o que dizer, então passei a mão no braço dela, de forma carinhosa, pois para mim o que importa são as pessoas e não no que elas acreditam, e ela, já mais calma voltou aos seus afazeres.
Antes de ir embora, veio com uma nova carga, leu um trecho da bíblia da sua religião.
Como se fosse para reforçar o que havia dito anteriormente.

Se não fosse triste isso eu choraria rindo desta situação toda.
Mas me condói ver o que estas religiões por aí espalhadas fazem com a cabeça das pessoas.
É uma verdadeira lavagem cerebral.
Claro, ela se diz feliz atuando desta maneira.
Quem sou eu para julgar.

Mas me pergunto:
Em pleno ano de 2005, como pode o ser humano, com todo o avanço tecnológico, com tantas informações disponíveis, ainda viver discutindo qual o Deus é melhor?

Dizem que mulher, futebol e religião não se discute.
Mas eu não consigo deixar de ter pena de quem entra nestas religiões e se perdem por lá.

Torço para voltar a andar o mais rápido possível!!!
Será mais uma forma de fugir deste assédio religioso todo.

1.6.05

.

Desabafo?

Ah.... que saudades de voltar a escrever.
Mas não estava conseguindo fazer meus dedos digitarem nem meu coração falar.

Hoje volto, cheia de vontade de dividir minha experiência pessoal.

Passei mais ou menso sessenta dias hospitalizada, fechada num quarto de hospital, rodeada de médicos, enfermeiros, aparelhos, remédios, exames, e de tudo o mais que se tem direito num hospital. Todos fazendo seu papel maravilhoso que é salvar vidas, como salvaram a minha.

Num local assim as atenções são voltadas ao corpo do paciente, que se encontra doente.
Há uma preocupação coletiva e uma torcida para que a recuperação aconteça.

E aconteceu aos poucos. Fui saindo da parte crítica aos poucos e voltando a viver.
Apesar de todo o processo doloroso disso tudo meu coração jamais esquecerá destas pessoas que estiveram comigo, lutando junto.

A volta para casa.
A alegria de sentir o cheirinho caseiro, de poder estar no meio das pessoas que se gosta, de sentir o cheiro da velha comida caseira. A cama, as coisas, o sol, a janela, enfim, só quem passou tanto tempo presa sabe o que é isso.

Mas aí chegaram as pessoas.
É incrível como o ser humano não sabe reagir a determinadas situações.
No início não ligava para as visitas e os comentários feitos durante estas.
Mas os dias vão passando e começo a me dar conta de que, como a maioria não sabe como agir diante de uma situação mais grave, acabam assumindo papéis que não são seus.
Me senti de volta ao hospital, mas em vez de rodeada de profissionais, rodeada de leigos que estão cheios de "achismos".

A visita entra na sua casa e sai logo perguntando, como está hoje? Teve febre? Tem dor? Está fazendo o tratamento direitinho? Está comendo? Está tomando os remédios?
Como se médicos fossem, ou como se eu fosse "algo inconsciente" que precisa ser monitorado constantemente.

Tem uma pessoa em especial que se não fosse cômica eu estrangularia! hahaahahaha
Ela liga todos os dias e pergunta a quem atende o telefone:
"Então, ela melhorou?"
Como se meu quadro fosse se modificar da noite para o dia!
Mas o que é pior, depois da informação de que as coisas estão transcorrendo como tem que ser, ela liga para os seus contatos colocando todos em alerta, dizendo que não melhoro, que o quadro não se modifica, chegando a dar opiniões pessoais sobre os médicos que me acompanham.

Cada um reage ao seu modo e dentro do que consegue.
Sei disso.
Não condeno esta atitude, mas tenho pena delas e dos pacientes que devem passar pelas mesmas experiências que eu.

A doença está no corpo e não na alma.
O fato de se estar passando por uma dificuldade física não te tira o fato de ser gente.
O doente sabe pelo que está passando e vive 24 horas isso.
Não tem como fugir desta realidade.
Mas ainda é a mesma pessoa que sempre foi.
Alegre ou triste, continua com suas características de ser humano.

As pessoas esquecem disso.
Queria que a cada visita as pessoas fossem mais naturais.
Não se precisa falar de doença, pois isso é óbvio.
O paciente quer vida!
O paciente quer ser tratado normalmente e não como doente.
Queria rir mais com cada um.
Mas como rir se a conversa está sempre em volta de meu corpo e não de mim mesma?

Acabei restringindo as visitas.
Não conseguirei mudar as pessoas, mas posso mudar o que me cerca.

O que escrevi é um desabafo?
Sim!
Mas mais que isso:
Um alerta.
Um dia estamos de um lado, somos visitas.
Noutro somos pacientes.
Saibamos nos colocar nas posições e aprendamos a conviver melhor com os fatos naturais da vida.
Assim poderemos ser mais úteis uns aos outros e ao mesmo tempo dar mais vazão ao amor que todos temos no coração.

Por trás de cada corpo há uma alma, que brilha e vive.

Um beijo cheio de saudades em cada coração.

26.4.05

A amizade é muito mais do que letras formando uma palavra.
É um sentimento que une corações estejam eles onde estiverem.
Esta amizade tem o poder de encher a alma de luz.
Nos momentos bons esta luz nos deslumbra.
E nos momentos ruins esta luz nos fortalece.

Voltei do hospital mas ainda não tenho condições de voltar a este mundo iluminado.
Mas quero deixar aqui o meu coração agradecido por todo o carinho com o qual me senti envolvida.

Logo estarei de volta.
Um beijo na alma de cada um.
Laura

12.3.05


Começarei meu tratamento.
Passarei por uma cirurgia e depois seguirei com a rotina tradicional.
Quero deixar aqui meu carinho.
O Que é o Que é


Composição: Gonzaguinha

Eu fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita, e é bonita
Viver
É não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ah! Meu Deus, eu sei, eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita, é bonita
E a vida?
E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Mas e a vida?
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é, o que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo
Há quem fale que é
Um divino mistério profundo
É o sopro do Criador numa atitude repleta de amor
Você diz que é luta e prazer
Ela diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é, e o verbo é sofrer
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita, é bonita
Viver
É não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ah! Meu Deus, eu sei, eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita, é bonita...